Educar – Desafio e Parceria entre Família e Escola

   “Educar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais… Entendo assim a tarefa primeira do educador: Dar aos alunos a razão para viver”.  Rubem Alves

É de conhecimento universal que, a educação caminha com desenvoltura quando há uma parceria entre escola e família. Particularmente, acredito demais nessa parceria e a cada dia noto como este encontro ocorre de forma clara e evidente. Antigamente observávamos uma “queda de braço”, os pais culpavam a escola e vice-versa, pelas dificuldades de aprendizagens ou comportamentais da criança, entretanto hoje, com todo o desenvolvimento entre essa relação, houve a compreensão de que juntas fazem a real diferença perante quaisquer desafios. Esse comprometimento independe de classe social ou credo. É sabido também que a participação familiar vai muito além do ter conhecimento das notas ou “olhar o caderno”, cabe aos pais acompanhar a formação de seu filho desde o nascimento até a maioridade, afim de que sua educação moral, de caráter e escolar sejam positivas. É de suma importância a presença dos pais na escola, se possível semanalmente. Conversas com professores e a coordenação pedagógica são sempre ricas e bem vindas. A escola, por sua vez, tem papel primordial no quesito fazer valer sua proposta pedagógica, além de proporcionar um ambiente receptivo e acolhedor aos pais e alunos. Uma base sólida, construída com seriedade e dedicação certamente culminará em bons frutos. É imprescindível que a criança note essas ações de parceria, compreendendo que os pais são aliados na busca do sucesso escolar, uma vez que são a força motriz desta relação.

Segundo especialistas, a partir do momento que há uma interação entre família e escola, as condições para o aprendizado e o desenvolvimento podem ser maximizadas. Desta maneira pais e professores devem se unir em prol do bem comum, tal relação deve ser estimulada, objetivando a busca de estratégias conjuntas e específicas a cada papel.

Até onde ir?

Eis uma questão para se refletir, deve-se encontrar um equilíbrio, uma medida de se envolver sem ultrapassar limites. A problemática é que, por exemplo, os pais acabam, por falta de tempo ou paciência, executando as tarefas para os filhos, ou mesmo quando os filhos realizam a tarefa de maneira falha, ao invés de deixarem a criança assumir a responsabilidade por seus atos, os pais procuram o professor para tratar o assunto e tentar “resolver o problema”. Esse tipo de envolvimento é prejudicial tanto para o aluno quanto para a escola, uma vez que a escola perde sua autoridade e função e conseqüentemente a criança não desenvolve sua autonomia plenamente.

Em síntese, a família deve participar ativamente da educação de seus filhos, tanto em casa quanto na escola, faz-se necessário a presença nas tomadas de decisões e em atividades voluntárias. Contudo, cada instituição escolar, por sua vez, deve buscar uma maneira única e saudável de se relacionar com pais e professores, considerando a realidade, tendo em vista o espaço físico e psicológico como um fator de crescimento e de real desenvolvimento entre os segmentos, ressaltando a qualidade do tempo.

[…] Para a escola os alunos são apenas transeuntes psicopedagógicos. Passam por um período pedagógico e, com certeza um dia vão embora. Mas a família não se escolhe e não há como mudar de sangue. As escolas mudam, mas os pais são eternos […]

Içami Tiba (2002, p.181)