VAIDADE OS GRANDES MITOS SUCUBIRAM A ELA

 Assim afirma Gikovate (1987) que tão antiga quanto à história do homem é a história da vaidade. Quantos palácios ou monumentos não foram erguidos apenas por vaidade: como demonstração de força e poder. Quantos não sucumbiram para atender a vaidade de um só. Sabe-se que, ao longo da história, a vaidade está presente em todos   os segmentos e civilizações. Conforme Ferreira (2001), vaidade significa: qualidade do que é vão; desejo imoderado de atrair admiração; frivolidade, fatuidade e presunção. Percebe-se pela própria descrição do dicionário que, a vaidade tem conotação pejorativa, ou seja, a vaidade, em excesso, pode se transformar em algo ruim, desagradável e porque não, prejudicial. A razão se cala perante a vaidade tornando tolo o sábio, o altruísta em egoísta.

                        Segundo Gikovate (1987):

Tudo se interrelaciona, todos os processos biológicos, psicológicos e racionais se imbricam de tal forma que se tornam muito pouco evidentes os contornos de cada ingrediente. E com a vaidade a coisa é pior ainda, pois ela está presente em tudo. Porém, pela natureza da sensação que sua satisfação provoca, creio que podemos localizá-la, originalmente como uma das manifestações do instinto sexual. (GIKOVATE, 1987, p. 15)

 

                        A citação acima vem ao encontro e reafirma aquilo que já havia sido relatado inicialmente: a vaidade está em tudo, pois provoca uma sensação de prazer e sua origem está na sexualidade.

1.1.    Razão – Mediador entre necessidade e desejo

Segundo Hegel (1770 a 1831), filósofo alemão, representante do idealismo no século XIX, “a razão rege o mundo, a história transcorre racionalmente, mas a razão que se manifesta ou revela na história é a razão divina absoluta. É a razão que constitui a história. Ela é parte do nosso mundo psíquico e se relaciona com os anseios e necessidades do corpo. Sabe-se que, de uma forma geral, durante o crescimento físico e de abastecimento da razão o indivíduo depara-se com inúmeros reveses ou vitórias.

                  A esse respeito Gikovate (1987) afirma que:

            A razão, com seu papel de mediador entre as necessidades e desejos internos e as possibilidades da realidade exterior e os valores da reflexão moral, dificilmente conseguirá exercer sua função de modo puro; estará sempre influenciada pela ânsia de destaque e pelo pavor da humilhação. Isto poderá levá-la a terríveis erros na reflexão e decisão acerca das várias atitudes que temos que tomar ao longo da vida. (GIKOVATE,1987, p.48)

 

              A vaidade expressa aspirações de poder e imortalidade com que rege o homem ante o medo da nulidade. Quanto mais angústias advindas da passagem do tempo, maior a tendência de buscar na vaidade uma ilusória satisfação. Por isso, a solução mais sensata ante a vaidade é a segurança interior: a autoestima. Mais que gostar de si mesmo, é estar em harmonia, em equilíbrio consigo e com os ditames da vida. Há uma pequena linha separando a vaidade da autoestima, enquanto a primeira depende de festejos alheios, a segunda é uma atitude de cuidado e autopreservação. (GIKOVATE,1987)

            Conclui-se que, àquele indivíduo que cultiva a autoestima, sem grandes preocupações com sua imagem perante o outro é capaz de discernir seu contato com o mundo, os bons e maus momentos, plenamente.

1.2.    Vaidade – Um olhar ao estímulo à higiene pessoal

 Conforme citado por Gikovate (1987), em texto anterior, há entre a vaidade e a autoestima uma pequena diferença. Partindo dessa premissa pode se afirmar que, uma autoestima equilibrada ou até mesmo uma vaidade natural de querer estar bem, faz com que o indivíduo se valorize , culminando assim, em cuidados com a aparência e a higiene pessoal sem exageros. Alguns destes cuidados são essenciais ao convívio social, adulto e infantil. Os odores exalados pelo corpo podem, de certa forma, afetar os relacionamentos interpessoais, além de acarretar doenças, principalmente de pele: dermatoses, impetigo, larva geométrica ou a micose de praia, por isso, é primordial manter uma boa higiene pessoal, a fim de se evitar problemas futuros. (BRASIL/MEC,1998)

              Sabe-se que o banho diário, com água e sabão, é um valioso ensinamento aos nossos pequenos. É por meio do cultivo de bons hábitos dos genitores que a criança aprende a cuidar de si. Faz-se necessário que a criança aprenda, desde cedo, os cuidados com a higiene pessoal: escovar os dentes, usar fio dental, lavar os cabelos – evitando assim, o mau cheiro, problemas no couro cabeludo e até mesmo parasitas – entre outros. Deste modo, o Referencial Curricular Nacional (1998) traz:

 

A aprendizagem dos movimentos para uma correta escovação dos dentes e da língua, usar o fio dental, bochechar e cuspir a água, é construída pela observação e orientação do adulto e pela própria experiência da criança ao ter oportunidade de manusear esses materiais e a água. (BRASIL/MEC, 1998, p. 46.)

 

              Cuidados com a limpeza do nariz e garganta, também são essenciais. A coriza, geralmente, está presente no cotidiano infantil, devido ao contato com inúmeros fatores causadores de alergias, por isso, a criança deve ser estimulada a fazer a limpeza correta, evitando assim o incômodo do nariz sujo. Por fim, deve dar atenção especial às extremidades corporais: pés e mãos, mantendo-os limpos, secos e com as unhas aparadas.

                   Assim, segundo o Referencial Curricular Nacional (BRASIL/MEC, 1998)

 

A higiene das mãos constitui-se um recurso simples e eficiente entre as atitudes e procedimentos básicos para a manutenção da saúde e prevenção de doenças. É sempre bom lembrar que os adultos servem de modelo para as crianças que observam suas atitudes e por isso é aconselhável que eles também lavem as mãos, sempre que necessário. (BRASIL/MEC,1998,p.3)

 

                   Conforme citação acima é primordial a higiene das mãos, uma vez que esta, constantemente, é levada à boca, tais atitudes previnem uma série de doenças. Percebe-se que, o brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, todavia, é relevante que, ao término das brincadeiras a criança faça a higiene corporal, uma vez que esta é uma atitude essencial, ou melhor, uma vaidade natural.

 

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