Vaidade – Origem e Conceitos

Tão antiga quanto a história do homem é a história da vaidade. Quantos palácios ou monumentos não foram erguidos apenas por vaidade: como demonstração de força e poder. Quantos não sucumbiram para atender a vaidade de um só.

Sabe-se que, ao longo da história, a vaidade está presente em todos os segmentos, e civilizações.

Segundo dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 2.0, a vaidade significa:

1- Qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre a aparência ilusória.

2- Valorização que se atribui à própria aparência ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros.

3- Avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo; futilidade; imodéstia; presunção; vanidade.

4- Coisa insignificante, futilidade, vanidade.

Dicionário eletrônico Houaiss 2.0

Percebe-se pela própria descrição do dicionário que, a vaidade tem conotação pejorativa, ou seja, a vaidade, em excesso, pode se transformar em algo ruim, desagradável e porquê não, prejudicial.

A razão se cala perante a vaidade, tornando tolo o sábio, o altruísta em egoista.

Segundo Gikovate (1987):

Tudo se interrrelaciona, todos os processos biológicos, psicológicos e racionais se imbricam de tal forma que se tornam muito pouco evidentes os contornos de cada ingrediente. E com a vaidade a coisa é pior ainda, pois ela está presente em tudo. Porém, pela natureza da sensação que sua satisfação provoca, creio que podemos localizá-la, originalmente como uma das manifestações do instinto sexual.

GIKOVATE, Flávio (1987, pag. 15)

A citação acima vem ao encontro e reafirma aquilo que já havia sido relatado no inicio do texto: a vaidade está em tudo, pois provoca uma sensação de prazer e sua origem está na sexualidade.

A Origem Sexual da Vaidade

Segundo Gikovate (1987, pag. 17) é a partir dos cinco anos de idade que surge as primeiras manifestações de vaidade – de natureza erótica – ou seja, é nessa fase que o menino sente prazer ao exibir seu órgão genital, partindo dessa premissa pode-se concluir que a um “certo orgulho” ao realizar tal ato, levando a criança à sensação de superioridade, por possuir um pênis, em relação as meninas.

Ainda de acordo com Gikovate:

O fato indiscutível é que o prazer derivado de se exibir é de natureza erótica. É uma sensação de excitação similar à que se obtém pelo toque das zonas erógenas. Mas é uma sensação mais difusa; um calor e um arrepio generalizado; é coisa agradável e por isso mesmo tende a se perpetuar, a ser buscada. O prazer sexual de se exibir é persistente e é a mais forte sensação de excitação nos adultos chamados exibicionistas. Eles adoram assustar as meninas desavisadas; depois disto, correm para algum canto e se masturbam estimulados pelo susto que provocaram. É realmente curioso o ser humano.

(1987, pag. 18)

Vê-se que há vaidade desde a mais tenra idade e está intrínseca ao prazer, a sexualidade.

Sabe-se que a criança – ou até mesmo o adulto – busca atrair olhares e quando, por algum motivo, isso não sucede, a frustração é certa. Não há necessidade de um olhar negativo, basta apenas a indiferença para que imediatamente se sintam humilhados.

E assim, ao longo da vida vão se constituindo os prazeres e desprazeres, provavelmente desde sempre, ou seja, nos sentimos sublimados ao sermos admirados e cabisbaixo e humilhados, quando não somos notados.

De acordo com Gikovate

Gastamos a maior parte do nosso tempo procurando coisas que nos façam destacados e fugindo das que nos diminuam. Vivemos para sermos julgados pelos olhos dos outros; a maior parte das vezes, por “outros” que não nos interessam e que nem sequer conhecemos. Nada dignificante.

Vício dos Vícios (1987. pag. 20)

Enfim, vive-se constantemente em busca de admiração, de elogios ou de algo que promova a sensação de bem estar. Uma excitação, de fundo erótico, que traz felicidade.

A vaidade e a razão

A razão é uma das características da condição humana, ela não é uma instância sagaz, dada de uma vez, mas sim um processo que se desdobra ou realiza ao longo do tempo. Então, assim como o homem é a história do homem, a razão é a história da razão.

Segundo Hegel, filósofo alemão, representante do idealismo alemão do século XIX, “a razão rege o mundo, a história transcorre racionalmente, mas a razão que se manifesta ou revela na história é a razão divina absoluta. É a razão que constitui a história. Ela é parte do nosso mundo psíquico e se relaciona com os anseios e necessidades do corpo.

Sabe-se que, de uma forma geral, durante o crescimento físico e de abastecimento da razão o indivíduo depara-se com inúmeros reveses ou “vitórias”.

Por isso a maneira de raciocinar, do indivíduo, vai se corrompendo com a tendência de avaliar tudo e a todos: superiores ou inferiores. É por meio de conceitos, adquiridos ao longo da trajetória, que a razão torna-se dissimulada aos juízos de valores, competindo, assim com julgamentos sofisticados (bom, mal; justo, injusto).

Gikovate afirma, assim, que:

A razão, com seu papel de mediador entre as necessidades e desejos internos e as possibilidades da realidade exterior e os valores da reflexão moral, dificilmente conseguirá exercer sua função de modo puro; estará sempre influenciada pela ânsia de destaque e pelo pavor da humilhação. Isto poderá levá-la à terríveis erros na reflexão e decisão acerca das várias atitudes que temos que tomar ao longo da vida.

(1987, pag.48)

A vaidade expressa aspirações de poder e imortalidade com que rege o homem ante o medo da nulidade. Quanto mais angústias advindas da passagem do tempo, maior a tendência de buscar na vaidade uma ilusória satisfação. Por isso, a solução mais sensata ante a vaidade é a segurança interior: a autoestima. Mais que gostar de si mesmo, é estar em harmonia, em equilíbrio consigo e com os ditames da vida.

Há uma pequena linha separando a vaidade da autoestima, enquanto a primeira depende de festejos alheios, a segunda é uma atitude de cuidado e autopreservação.

Conclui-se que, àquele indivíduo que cultiva a autoestima, sem grandes preocupações com sua imagem perante o outro é capaz de discernir seu contato com o mundo, os bons e maus momentos, plenamente.

Vaidade enquanto estímulo à higiene pessoal

Conforme citado em texto anterior, há entre a vaidade e a autoestima uma pequena diferença. Partindo dessa premissa pode se afirmar que, uma autoestima equilibrada ou até mesmo uma vaidade natural de querer estar bem, faz com que o indivíduo se valorize , culminando assim, em cuidados com a aparência e a higiene pessoal sem exageros.

Alguns destes cuidados são essenciais para o convívio social, adulto e infantil. Os odores exalados pelo corpo podem, de certa forma, afetar os relacionamentos interpessoais, além de acarretar doenças, principalmente de pele: dermatoses, impetigo, larva geométrica ou a micose de praia, por isso, é primordial manter uma boa higiene pessoal, a fim de se evitar problemas futuros.

Sabe-se que o banho diário, com água e sabão, é um valioso ensinamento aos nossos pequenos. É por meio do cultivo de bons hábitos dos genitores que a criança aprende a cuidar de si.

Faz-se necessário que a criança aprenda, desde cedo, os cuidados com a higiene pessoal: escovar os dentes, usar fio dental, lavar os cabelos – evitando assim, o mal cheiro, problemas no couro cabeludo e até mesmo parasitas – entre outros.

Conforme o Referencial Curricular Nacional:

A aprendizagem dos movimentos para uma correta escovação dos dentes e da língua, usar o fio dental, bochechar e cuspir a água, é construída pela observação e orientação do adulto e pela própria experiência da criança ao ter oportunidade de manusear esses materiais e a água.

(1998, pag. 46)

Cuidados com a limpeza do nariz e garganta, também são essenciais. A coriza, geralmente, está presente no cotidiano infantil, devido ao contato com inúmeros fatores causadores de alergias, por isso, a criança deve estimulada a fazer a limpeza correta, evitando assim o incômodo do nariz sujo.

Por fim, deve dar atenção especial as extremidades corporais: pés e mãos, mantando-os limpos, secos e com as unhas aparadas.

Segundo o Referencial Curricular Nacional:

A higiene das mãos constitui-se um recurso simples e eficiente entre as atitudes e procedimentos básicos para a manutenção da saúde e prevenção de doenças. É sempre bom lembrar que os adultos servem de modelo para as crianças que observam suas atitudes e por isso é aconselhável que eles também lavem as mãos, sempre que necessário.

(1998, pag. 33)

Conforme citação, é primordial a higiene das mãos, uma vez que esta, constantemente, é lavada à boca, tais atitudes previnem uma série de doenças.

Percebe-se que, o brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, todavia, é relevante que, ao término das brincadeiras a criança faça a higiene corporal, uma vez que esta é uma atitude preventiva, além de ser uma vaidade natural.

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