Vaidade – Origem e Conceitos

Tão antiga quanto a história do homem é a história da vaidade. Quantos palácios ou monumentos não foram erguidos apenas por vaidade: como demonstração de força e poder. Quantos não sucumbiram para atender a vaidade de um só.

Sabe-se que, ao longo da história, a vaidade está presente em todos os segmentos, e civilizações.

Segundo dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 2.0, a vaidade significa:

1- Qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre a aparência ilusória.

2- Valorização que se atribui à própria aparência ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros.

3- Avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo; futilidade; imodéstia; presunção; vanidade.

4- Coisa insignificante, futilidade, vanidade.

Dicionário eletrônico Houaiss 2.0

Percebe-se pela própria descrição do dicionário que, a vaidade tem conotação pejorativa, ou seja, a vaidade, em excesso, pode se transformar em algo ruim, desagradável e porquê não, prejudicial.

A razão se cala perante a vaidade, tornando tolo o sábio, o altruísta em egoista.

Segundo Gikovate (1987):

Tudo se interrrelaciona, todos os processos biológicos, psicológicos e racionais se imbricam de tal forma que se tornam muito pouco evidentes os contornos de cada ingrediente. E com a vaidade a coisa é pior ainda, pois ela está presente em tudo. Porém, pela natureza da sensação que sua satisfação provoca, creio que podemos localizá-la, originalmente como uma das manifestações do instinto sexual.

GIKOVATE, Flávio (1987, pag. 15)

A citação acima vem ao encontro e reafirma aquilo que já havia sido relatado no inicio do texto: a vaidade está em tudo, pois provoca uma sensação de prazer e sua origem está na sexualidade.

A Origem Sexual da Vaidade

Segundo Gikovate (1987, pag. 17) é a partir dos cinco anos de idade que surge as primeiras manifestações de vaidade – de natureza erótica – ou seja, é nessa fase que o menino sente prazer ao exibir seu órgão genital, partindo dessa premissa pode-se concluir que a um “certo orgulho” ao realizar tal ato, levando a criança à sensação de superioridade, por possuir um pênis, em relação as meninas.

Ainda de acordo com Gikovate:

O fato indiscutível é que o prazer derivado de se exibir é de natureza erótica. É uma sensação de excitação similar à que se obtém pelo toque das zonas erógenas. Mas é uma sensação mais difusa; um calor e um arrepio generalizado; é coisa agradável e por isso mesmo tende a se perpetuar, a ser buscada. O prazer sexual de se exibir é persistente e é a mais forte sensação de excitação nos adultos chamados exibicionistas. Eles adoram assustar as meninas desavisadas; depois disto, correm para algum canto e se masturbam estimulados pelo susto que provocaram. É realmente curioso o ser humano.

(1987, pag. 18)

Vê-se que há vaidade desde a mais tenra idade e está intrínseca ao prazer, a sexualidade.

Sabe-se que a criança – ou até mesmo o adulto – busca atrair olhares e quando, por algum motivo, isso não sucede, a frustração é certa. Não há necessidade de um olhar negativo, basta apenas a indiferença para que imediatamente se sintam humilhados.

E assim, ao longo da vida vão se constituindo os prazeres e desprazeres, provavelmente desde sempre, ou seja, nos sentimos sublimados ao sermos admirados e cabisbaixo e humilhados, quando não somos notados.

De acordo com Gikovate

Gastamos a maior parte do nosso tempo procurando coisas que nos façam destacados e fugindo das que nos diminuam. Vivemos para sermos julgados pelos olhos dos outros; a maior parte das vezes, por “outros” que não nos interessam e que nem sequer conhecemos. Nada dignificante.

Vício dos Vícios (1987. pag. 20)

Enfim, vive-se constantemente em busca de admiração, de elogios ou de algo que promova a sensação de bem estar. Uma excitação, de fundo erótico, que traz felicidade.

A vaidade e a razão

A razão é uma das características da condição humana, ela não é uma instância sagaz, dada de uma vez, mas sim um processo que se desdobra ou realiza ao longo do tempo. Então, assim como o homem é a história do homem, a razão é a história da razão.

Segundo Hegel, filósofo alemão, representante do idealismo alemão do século XIX, “a razão rege o mundo, a história transcorre racionalmente, mas a razão que se manifesta ou revela na história é a razão divina absoluta. É a razão que constitui a história. Ela é parte do nosso mundo psíquico e se relaciona com os anseios e necessidades do corpo.

Sabe-se que, de uma forma geral, durante o crescimento físico e de abastecimento da razão o indivíduo depara-se com inúmeros reveses ou “vitórias”.

Por isso a maneira de raciocinar, do indivíduo, vai se corrompendo com a tendência de avaliar tudo e a todos: superiores ou inferiores. É por meio de conceitos, adquiridos ao longo da trajetória, que a razão torna-se dissimulada aos juízos de valores, competindo, assim com julgamentos sofisticados (bom, mal; justo, injusto).

Gikovate afirma, assim, que:

A razão, com seu papel de mediador entre as necessidades e desejos internos e as possibilidades da realidade exterior e os valores da reflexão moral, dificilmente conseguirá exercer sua função de modo puro; estará sempre influenciada pela ânsia de destaque e pelo pavor da humilhação. Isto poderá levá-la à terríveis erros na reflexão e decisão acerca das várias atitudes que temos que tomar ao longo da vida.

(1987, pag.48)

A vaidade expressa aspirações de poder e imortalidade com que rege o homem ante o medo da nulidade. Quanto mais angústias advindas da passagem do tempo, maior a tendência de buscar na vaidade uma ilusória satisfação. Por isso, a solução mais sensata ante a vaidade é a segurança interior: a autoestima. Mais que gostar de si mesmo, é estar em harmonia, em equilíbrio consigo e com os ditames da vida.

Há uma pequena linha separando a vaidade da autoestima, enquanto a primeira depende de festejos alheios, a segunda é uma atitude de cuidado e autopreservação.

Conclui-se que, àquele indivíduo que cultiva a autoestima, sem grandes preocupações com sua imagem perante o outro é capaz de discernir seu contato com o mundo, os bons e maus momentos, plenamente.

Vaidade enquanto estímulo à higiene pessoal

Conforme citado em texto anterior, há entre a vaidade e a autoestima uma pequena diferença. Partindo dessa premissa pode se afirmar que, uma autoestima equilibrada ou até mesmo uma vaidade natural de querer estar bem, faz com que o indivíduo se valorize , culminando assim, em cuidados com a aparência e a higiene pessoal sem exageros.

Alguns destes cuidados são essenciais para o convívio social, adulto e infantil. Os odores exalados pelo corpo podem, de certa forma, afetar os relacionamentos interpessoais, além de acarretar doenças, principalmente de pele: dermatoses, impetigo, larva geométrica ou a micose de praia, por isso, é primordial manter uma boa higiene pessoal, a fim de se evitar problemas futuros.

Sabe-se que o banho diário, com água e sabão, é um valioso ensinamento aos nossos pequenos. É por meio do cultivo de bons hábitos dos genitores que a criança aprende a cuidar de si.

Faz-se necessário que a criança aprenda, desde cedo, os cuidados com a higiene pessoal: escovar os dentes, usar fio dental, lavar os cabelos – evitando assim, o mal cheiro, problemas no couro cabeludo e até mesmo parasitas – entre outros.

Conforme o Referencial Curricular Nacional:

A aprendizagem dos movimentos para uma correta escovação dos dentes e da língua, usar o fio dental, bochechar e cuspir a água, é construída pela observação e orientação do adulto e pela própria experiência da criança ao ter oportunidade de manusear esses materiais e a água.

(1998, pag. 46)

Cuidados com a limpeza do nariz e garganta, também são essenciais. A coriza, geralmente, está presente no cotidiano infantil, devido ao contato com inúmeros fatores causadores de alergias, por isso, a criança deve estimulada a fazer a limpeza correta, evitando assim o incômodo do nariz sujo.

Por fim, deve dar atenção especial as extremidades corporais: pés e mãos, mantando-os limpos, secos e com as unhas aparadas.

Segundo o Referencial Curricular Nacional:

A higiene das mãos constitui-se um recurso simples e eficiente entre as atitudes e procedimentos básicos para a manutenção da saúde e prevenção de doenças. É sempre bom lembrar que os adultos servem de modelo para as crianças que observam suas atitudes e por isso é aconselhável que eles também lavem as mãos, sempre que necessário.

(1998, pag. 33)

Conforme citação, é primordial a higiene das mãos, uma vez que esta, constantemente, é lavada à boca, tais atitudes previnem uma série de doenças.

Percebe-se que, o brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, todavia, é relevante que, ao término das brincadeiras a criança faça a higiene corporal, uma vez que esta é uma atitude preventiva, além de ser uma vaidade natural.

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As ocidentais não sabem de nada…

 Sob um forte e denso nevoeiro retomei a consciência. Não me lembrava de absolutamente nada, onde estava, como fui parar naquele lugar, o havia acontecido, só me lembro de que, ao abrir os olhos, haviam casas e mais casas ao meu redor, um cheiro forte, desagradável, adentrava em minhas narinas, fazendo me sentir enjoos, um lugarejo sujo e fétido. Levantei-me calmamente, dei os primeiros passos, rodeei os olhos e ao longe avistei um grupelho se aproximando, bravejavam numa língua a princípio engraçada, e quanto mais se aproximavam, mais podia compreender a tal língua. Estranho! Que me lembre, nunca me preocupei em ser poliglota, a língua materna me bastava, e definitivamente não era aquela, minha naturalidade portuguesa não se igualava àquele sotaque forte e agressivo. Quando já me rodeavam, pude compreender o motivo da bravura, era alguma coisa parecida com: “mulher sem véu, serás punida”, foi quando dei por mim. Eu era a tal mulher a quem o grupo se referia, não pensei duas vezes, apenas corri, ao correr ouvi um tilintar metálico, bati a mão nos bolsos e encontrei algumas rúpias… Rúpias? Não! Agora descobri onde realmente estava. Antes adorava ler sobre a cultura indiana e agora estava vivenciando-a. Entrei em meio à uma multidão, passei por becos escuros, as pessoas com seus olhares medonhos condenavam-me, foi quando avistei um trem, sem pestanejar adentrei em um de seus vagões, afinal as rúpias me salvariam, pensei. Avistei um lenço todo colorido, com formas abstratas e brilhos laterais, esquecido por entre os bancos, imediatamente me apoderei do objeto ali caído, cobri-me para tentar passar despercebida, contudo, em vão, as pessoas pareciam sentir o cheiro estrangeiro, um homem, de estatura mediana, calvo e com um enorme bigode, se aproximou e tentou me tocar, sai correndo estarrecida, meu pensamento aturdido, perdido sequer fantasiava como sair daquela enrrascada, até que por obra do destino deparei-me com um rapaz forte, alto, com a barba por fazer, a pele calejada, fruto de uma exposição diária, mas que me sorria com alguma admiração, sem entender nada deixei me levar por aquele olhar, não tive opção, era aquilo ou o sabe-se lá o quê. O jovem sentou-se a meu lado, seguimos viajem calados, chegado um determinado ponto descemos. Andamos horas a fio pela mata adentro, no alto da montanha, uma velha cabana nos esperava, e de lá era possível ver toda a cidade, daquela distância o lugar até parecia bonito, as ruas eram como um formigueiro, um amontoado de pessoas, muitas cores deslocavam-se de um lado para o outro. Pensei, estou a salvo aqui! Ledo engano! Aquele homem que outrora me refugiara, agora, com um olhar indiferente me avisou: “Daqui em diante sua casa será esta, e eu serei seu marido, portanto deve fazer o que eu mandar, além de cuidar dos afazeres doméstico, é claro! E foi assim o começo do fim… Fim dos sonhos, o fim da inocência, pois é, pelo que me lembre só tinha quinze anos, era ainda uma criança. Naquele mesmo dia, toda a candura se desfez, aquele homem de pele seca e traços rudes me tomou, como se usurpasse de um pedaço de carne. Eu? Rezava para que aquilo cessasse. A vida passavam assim, durante o dia, afazeres domésticos: lavar, passar, cozinhar, buscar lenha, limpar, tratar dos animais. E a noite, servia de objeto, para aquele infeliz inescrupuloso. Passado algum tempo, o tal homem, agora “meu marido”, começou a mencionar algo sobre um dote, mal sabia eu o que estava por vir. Todos os dias ele tocava no assunto, até que passou a me ameaçar: “Se você não me entregar o dote eu te mato, mulher!” Que dote? A que o infeliz se referia desta vez… Foi então que me lembrei de, dias antes, uma conversa entre vizinhas, sobre uma mulher que havia sido morta pelo marido, por não lhe dar o dote. Então entendi. Era uma cultura local, antes do casamento, a mulher deveria entregar ao seu futuro esposo uma quantia em dinheiro, caso contrário o marido tinha total controle sobre sua vida ou morte. Me arrepiei. E agora? O que será de mim? Neste dia, o homem chegou enfurecido, cheirava a àlcool, mal conseguia parar em pé e ao esbravejar, percebi uma certa atrocidade no olhar, foi até a cozinha, tomou mais um gole de cachaça, pegou uma enorme faca, usada para despelar carneiro e partiu em minha direção, desnorteada e acuada, agachei-me. Ao olhar para cima deparei-me com aquela faca a milímetros de minha pele, quando de repente acordei. Acordei? Ufa! Acordei… Nem acredito. Era sonho, ou melhor, pesadelo. Graças à DEUS, era um pesadelo cruel e horrendo, mas ainda sim, era apenas um pesadelo. Que bom! Voltei a ser uma menina de quinze anos, cheia de sonhos e vida, entretanto, pensei: “Para mim aquilo foi apenas um pesadelo, mas para muitas, é uma realidade implacável, as mulheres indianas são obrigadas a conviver com este tipo de cultura diariamente, onde, às vezes, o que lhes resta é a morte, a única trégua para a carne.”

 

Sapo Sapeca

Sapo, sapo,

Que voz é essa?

É o granir de uma rã?

Ou o coaxar de uma perereca?

Sapo sapeca,

Rã, perereca…

Todos cantando,

Lá na floresta!

Sapo sapeca,

Tire uma soneca!

Sapo, sapo,

O som cessou,

Vamos dormir?

O show acabou.

 

 

 

Voar, voar

Que bicho você é?

Sou uma abelhinha,

Eu faço um zumbidinho!

Meu nome é Tataíra,

Mas pode me chamar…

De abelha de fogo.

Sou muito zangada,

Se bobear dou-lhe uma ferroada!

Que bicho você é?

Oras, não sabe?

Eu sou o Tentilhão,

Esperto e bonitão!

Sou conhecido como batachim,

Só como sementes,

Não como os insetos,

Que rodeiam este jardim!

Que bicho você é?

Olha só o meu bico!

Eu gorjeio bastante,

Então, descobriu?

Sou um Tico-tico.

Faço ninhos

em forma de taça,

É uma graça, não acha?

Que bicho você é?

Sou um Toutinegra-real

Canto e gorjeio.

Moro lá em Portugal,

Me alimento de insetos,

Tenho plumagem acinzentada

Meus olhinhos são branquinhos,

Olha como sou bonitinho!

E você, que bicho é?

Ah! Acho que já sei,

Um Tucano, acertei?

Sim, na mosca!

Sou um bicho inconfundível,

Tudo por causa do meu bico!

Por frutas sou maluco,

Um inseto aprecio,

Mas é com pequenos ovos que me delicio!

Lendas do Rio

 

Rezam lendas de outrora,

Que o rio se apaixonou.

Por uma linda morena,

Que suspiros lhe arrancou!

Bem faceira, toda tarde

A morena desfilava,

Cabelos ao vento, olhares marotos…

À beira-rio se sentava.

Ficava horas e horas

Olhando o horizonte,

Vendo a beleza das águas,

Dos vales e montes…

O rio se agitava ao ver tanta delicadeza,

O toque das mãos suaves,

O carinho, o afago…

Em suas águas turbulentas,

Bem baixinho se ouvia…

O rio que se estremecia

Pelo cantarolar da moça,

Em alvoroço se desvanecia!

Certo dia, que tristeza,

Sua amada, sua noiva!

Desfilava acompanhada,

Um moço ao seu lado caminhava.

O rio, sem pestanejar …

Se enfureceu!

E um terrível desejo!

A vingança lhe acometeu…

A ambos engoliu, com toda sua força…

Para o fundo de suas águas,

Lutou e relutou…

E seu rival se afogou!

A morena não mais foi vista,

As tardes já não eram as mesmas…

O brilho angelical não havia,

Mas tivemos uma certeza:

“O sonho do rio…

Mudou toda a rotina,

Bem baixinho, ainda se ouve…

O cantarolar da Noiva da Colina!”

A cultura musical como fonte de influencia à precocidade sexual infantil

 De acordo com a psicóloga Aline Maciel, a música de cunho erótico, sexual, induz o comportamento impróprio dos pequenos. No cotidiano é possível encontrar crianças da mais tenra idade cantando e dançando ao som de refrões onerados de sexualidade e como se não bastasse, ainda, se vestem inadequadamente à faixa etária. A criança, pela ingenuidade, se vê em estado febril ao ouvir certos tipos de canções. Mas qual a real consequência que traz este tipo de cultura para o desenvolvimento infantil e de que modo a letra pode influenciar o comportamento pueril? Psicólogos são taxativos ao afirmarem que tais músicas podem trazer consequências desagradáveis ao desenvolvimento infantil, como: o estímulo a iniciação sexual precoce entre meninos e meninas. Ainda de acordo com especialistas, “músicas com carga sexual muito forte aliadas a coreografias sensuais fazem com que a criança tenha acesso a elementos que não são adequados a sua faixa etária, induzindo comportamentos inadequados. MACIEL, Aline (psicóloga do Instituto Recriando – SE, 2008) Percebe-se a música como importante em relação aos aspectos sócioculturais infantis, além de favorecer a integração com o meio e identificação grupal. Subentende-se que este acesso precoce distancia a criança de suas vivências pueris: o brincar, por exemplo. Com a banalidade do sexo, a percepção da criança é alterada. “A criança começa lidar com a sexualização do sem o devido entendimento de com isso deve ser tratado”. MACIEL, Aline (2008) O desfecho de tais atitudes, culminam num primeiro contato com a sexualidade, que ocorrerá a partir dos onze ou doze anos de idade. O contato infantil com as músicas apelativas deve ser acompanhado pelos pais. O diálogo deve se fazer presente na relação familiar, uma vez que o acesso a outros tipos de músicas, de cunho criativo, reflexivo e divertido, faz-se necessário para que a criança vivencie com plenitude esta fase tão especial. O desenvolvimento saudável Sabe-se que a música contribui positivamente para o desenvolvimento, quando utilizada de forma adequada. “A música desenvolve a percepção, a concentração, a observação e a criatividade da criança”. MACIEL, (2008) Concomitante a todas essas inteligências, a música trás também a absorção de informações e aprendizagens, principalmente em relação ao raciocínio lógico, a memória, além do espaço e a abstração, todavia, essas características são desenvolvidas “dentro de melodias suaves, de construções harmônicas adequadas e letras construtivas” MACIEL, (2008). Pesquisadores afirmam ainda que, a música tem real importância na maturação social infantil, uma vez que, por meio do repertório musical a criança inicia-se como membro de um determinado grupo social. Além da maturação individual, ou seja, quando ocorre o aprendizado de regras sociais por parte da criança.

Consumismo – Exageros que acometem as crianças

Lacan assume que o inconsciente se estrutura como uma linguagem, como uma cadeia de significante latente que se repete e interfere no discurso efetivo, como se houvesse sempre, sob as palavras, outras palavras, como se o discurso fosse sempre atravessado pelo discurso do Outro, do inconsciente.

Fernanda Mussalim (2006)

 De acordo com Lacan, citado por Fernanda Mussalim, o inconsciente é uma forma de linguagem que interfere diretamente no cotidiano, é como se uma alguém falando aos ouvidos daquele que pratica determinadas ações.
“Vivemos fazendo e ouvindo discursos. Muitos deles desiguais, superiores, repressores. A classe dominante, para manter sua dominação, gera mecanismos que perpetuam e reproduzem as condições materiais, ideológicas e políticas.” – Althusser (1970).
Assim, como afirma Althusser, encontramo-nos em meio aos discursos, cada qual à sua maneira, entretanto, todos com o mesmo objetivo, gerar mecanismos que seduzam o ouvinte, deixando-o vulnerável à dominação da elite. A prática social, por meio de ideologias, carrega em si a desconstrução de um modelo que represente valores das classes menos favorecidas. Surgindo assim, a relevância de se estudar gêneros específicos, como a propaganda, destinada ao público infantil, questionada pelas condições da cultura contemporânea, estabelecendo uma estreita ligação entre publicidade, valores sociais e o papel ideológico da mesma.

Sabe-se que a propaganda exerce um poder persuasivo sobre seus expectadores, manipulando-os à adquirirem um estilo de vida além de sua realidade. Atualmente é nítido o desinteresse infantil por aquilo que lhes seria pertinente, o brincar passa a ser um hábito e o consumo exacerbado virou pura diversão.

A televisão, atualmente, é o meio mais eficaz de sedução aos pequenos, pois é onde a propaganda atinge com maior facilidade seus objetivos, em contrapartida os pais têm dificuldades em driblar ou bloquear esta sedução, surgindo, desta forma, uma grande polêmica. De acordo com a Presidenta do Instituto Alana, de São Paulo, Ana Lúcia Villela, “as crianças ainda não conseguem criar juízos de valores sobre o que veem na televisão. Até os seis anos de idade elas não sabem o que é comercial ou propaganda.

Entretanto, sabe-se que, para uma propaganda ser bem sucedida, deve conter um texto com componentes linguísticos selecionados e deve ser visualmente atraente aos olhos, principalmente, dos pequenos. Com tantos estímulos, como fazer com que a criança aprenda a distinguir quando seu super herói está à frente da própria mensagem. Percebe-se que a infância é a época mais tranquila de se fixar hábitos, uma vez que é nessa fase que se estrutura a percepção, partindo desta premissa as propagandas têm inovado cada vez mais em suas apresentações. A maneira apelativa com que tratam o possível consumidor mirim acaba por trazer prejuízos à saúde, ao desenvolvimento do caráter e até da personalidade.

Como já afirmou Lacan (2002) o inconsciente se estrutura como linguagem, o inconsciente nada mais é do que o discurso do outro, em sendo assim, o desejo é o desejo do outro. Por isso os publicitários, para criar suas campanhas, utilizam-se de resultados de testes que revelam, entre outros dados, os desejos irrefletidos nas crianças, com estruturas levianas sobre as quais se movem. A publicidade tem seu discurso baseado na ligação entre o inconsciente e o prazer que o produto remeterá à criança.

O garoto ou a garota entendem que só serão aceitos por este ou aquele grupo se adquirirem os produtos que são a “nova sensação do momento”. O sentimento de pertencerem a grupos, essencial para a construção da identidade, passa pela incorporação, em seu funcionamento mental, de aspirações homogêneas e do padrão de consumo que as atende. Devido a estes verdadeiros “bombardeios”de informações e estímulos, a criança é induzida a acreditar que os produtos de grife são sua identidade, sentindo-se assim poderosos e acabam, sem querer, se tornando propagandas sem custos, ou seja, se transformam em outdoors ambulantes.

Conforme a psicanalista Ana Olmos (2009), “as crianças, sem perceber, consomem para dizer ao outro sobre elas próprias, para dizer para elas próprias quem são.”

Outro fator relevante é a ausência dos pais, onde tentam compensar isto com presentes e acabam realizando os desejos de seus filhos, essas crianças por sua vez estão mais suscetíveis ao consumismo exagerado. Sabe-se que dar um basta radical nestes apelos infantis não é a melhor solução, de acordo com o economista e colunista da Revista Época e da Rádio CBN, Mauro Halfeld, relevante “é fazer um bom acordo com as meninas e os meninos. Usar um desses produtos que eles querem como recompensa para as missões importantes, como por exemplo, um excelente resultado na escola, ou uma bela arrumação no quarto. Não estabelecer missão fácil e fugir dos prêmios mais caros”. Esta segundo o economista é uma boa saída para o consumismo sem controle da nova geração.

As crianças querem usar roupas e tênis de grife, pois neles estão expressos, simbolicamente, a que meio social se pertence, ou que a ele deseja pertencer, tudo isso está pautado no consumismo. É como se houvesse uma áurea envolvendo produto. Nesse jogo de interesses a criança cresce com um novo pensamento, com novas ideologias, ela deixa de “Ser” para “Ter” e passa a “Ter” para “Ser”.

Anorexia, um mal contemporâneo que atinge o universo infantil

  Casos de patologias psíquicas tais como: anorexia e bulimia, fazem parte cada vez mais cedo do universo infantil, fato concomitante à vaidade exagerada.

Sobre esse assunto Rosenberg (2004), faz um relato muito comum atualmente:

Os pais de Luana foram chamados com urgência na escola após ela ter desmaiado durante a aula de educação física. A mãe não pode ir por estar viajando, e o pai muito alarmado, chegou pouco depois, e vendo a filha um pouco melhor começou a reclamar com ela por causa dos “regimes loucos” que ela andava fazendo. A posição de impotência do pai, perante a frieza e impassividade de Luana era comovente, ficou evidente que este era um confronto diário, sem o mínimo resultado. Com sua aparência frágil, de 40 Kg distribuídos no seu 1,68 m. Luana, 14 anos é a mais velha dos três filhos do casal, foi sempre uma criança muito organizada e boa aluna na escola. Sentir-se aceita era questão de honra. Havia uma necessidade de perfeição em tudo que fazia, e era por isso muito elogiada. Há um ano começou a reclamar que suas coxas estavam muito grossas e que seu tornozelo era gordo. Resolveu parar de comer, e conseguiu esconder este fato dos pais, até saírem de férias, depois criou-se uma situação tensa, com os pais obrigando-a a se alimentar. Foi difícil para Luana, que se sentiu deprimida, e chorava muito com medo de recuperar o peso perdido. Com o início do ano letivo ela recomeçou sua rotina fingindo que comia. As amigas começaram a se preocupar com ela. Luana estava feliz, estava com controle total do que fazia e a fome que sentia no início tinha sido dominada. Apesar da magreza visível a todos, ela “via” gordurinhas, e a ideia de ganhar um grama que fosse a aterrorizava. Não sentia cansaço, mas o corpo começou a mostrar sinais de sua missão. Pressão baixa e batimentos cardíacos baixos, diminuição de densidade óssea, podendo levar a osteoporose e maior facilidade de fraturas, colesterol elevado, a pele amarelada, seca e escamosa, perda de cabelo, penugem fina no rosto, intolerância ao frio, interrupção da menstruação. A reversão desse quadro só ocorreu a muito custo e a partir de uma intervenção multidisciplinar, envolvendo endocrinologista, psiquiatra, nutricionista, mas ainda assim, ocasionalmente ainda ocorre uma recaída (ROSENBERG, 2004, p59-60).

De acordo com a citação acima, por Rosenberg, vê-se que os distúrbios alimentares que, antes acometiam apenas adultos, passaram a fazer parte do cotidiano infantil, é comum presenciar relatos como este, uma vez que o consumismo e a vaidade exagerada andam juntas.

De acordo com a psicóloga da Clínica Marchesini, de Curitiba, Simone Marchesini, a anorexia é um transtorno alimentar (patologia), onde o indivíduo, portador deste distúrbio, priva-se da alimentação, levando a um emagrecimento a níveis muito abaixo do peso mínimo considerado normal. Ainda, segundo Marchesini, a bulimia (patologia) é uma doença cujos sintomas são episódios compulsivos de ingestão alimentar excessiva e que para compensar esse consumo o bulímico acaba passando por períodos prolongados de jejum, além de induzirem vômitos, utilizarem-se de laxantes, diuréticos ou ainda fazem exercícios físicos de forma obsessiva.

Sabe-se que a cada dia, novos casos de anorexia acometem crianças, o que, antes fazia parte do cotidiano adulto, agora, já se têm registros de vários casos de crianças, geralmente meninas, que são portadoras destas patologias.

Enquanto os pais pensam que suas filhas ainda brincam de bonecas, elas, por sua vez, estão cada vez mais cedo, em busca de um corpo idêntico ao da Bárbie, por exemplo. Em alguns grupos de amigas é comum encontrarmos assuntos pertinentes à aparência, ao sexo oposto, além de assuntos relacionados a alimentação.

Crianças obedientes, organizadas, responsáveis e extremamente vaidosas são as principais vítimas desses distúrbios. Percebe-se que meninas entre 8 a 11 anos são extremamente sensíveis quando se trata de beleza e qualquer comentário acerca da aparência, como por exemplo, que estão um pouco acima do peso. Pronto! É o que basta para que se sintam feias e gordas, partindo desta premissa, podem ocorrer os primeiros indícios de uma possível depressão ou até mesmo traumas que serão carregados pela vida toda.

Portanto, faz-se necessário que os pais atente-se ao menor sinal de mudanças alimentares, o diálogo, muitas vezes, pode evitar problemas graves futuros.