Gato Malhado…

 

Mimado, subiu no telhado…

Safado! Em busca de aventuras está…

Gato Malhado, mimado, em cima do telhado…

Boa coisa não há…

Ou mia sem parar,

A procura de um par ou briga quer arranjar!

Gato Malhado…

Desce já do telhado! Deixa a vizinhança descansar…

Gato Malhado, mimado e teimoso nem ouvidos me dá…

Mia, mia sem parar…

Até que encontra uma bacia…

Uma bacia com água fria…

Muito fria,

Fica todo encharcado…

Tristonho volta p’ra casa…

Gato malhado molhado!

Com cara de “Santo Achado”…

Dança no Céu

Garças com graça dançam no céu…

Sobrevoam o véu de poeira pairado no ar…

Voam, voam sem se preocupar…

Pousa suave por entre os arvoredos…

Espreguiça-se calma e faceira…

Umas pousam em pequenos bandos,

Outras solitárias descansam em paineiras…

Sua refeição é um distraído…

Peixinho desprotegido,

Que servirá para um corpo alimentar…

Garça…

Novamente voa com graça…

Dá um show de beleza e destreza…

E procura outro canto para repousar!

Olhos…

 

Olhos verdes arredondados…

Olhos grandes, amendoados,

Brilhantes, olhos claros…

Olhos transparentes, que de tão transparente…

Vê-se a alma…

Encontra-se a calma…

Viaja-se ao infinito, onde tudo é bonito…

Olhos verdes arredondados…

Serenos, sobrevoam a imensidão…

Olhos verdes, que dão asas a imaginação…

Olhos… Não de um verde qualquer…

Mas um verde límpido, como as ondas do mar…

Claros, como o sol a raiar…

Puros, como um coração infantil…

Batendo a mil…

Olhos verdes…

Arredondados,

Amendoados…

Acompanha-me?

 

 

Sou  tudo o que queria ser…

Eu sonho os sonhos que queria ter…

E você nada pode fazer…

Isso nunca irá mudar,

Passe o tempo que passar,

A tempestade sempre virá,

Sempre serei o que quiser…

Se quiser conquistar o mundo…

Ser um moribundo…

Já não pode impedir,

Se quiser dormir, sorrir ou vir o sol se pôr,

Se quiser correr sem destino,

Se  quiser ser um menino…

Nada poderá fazer…

Tenho tudo em minhas mãos…

Tenho o mundo aos meus pés…

Sou mais eu,

E você…

Nada poderá fazer…

Ninguém poderá me deter…

Ou me acompanha…

Ou fica…

Adeus!

 

Leitinho??? Não!!!

 

            Jony era um menino de estatura mediana, olhos claros, muito claros, dão até uma pontinha de inveja de tão bonitos. Como todo garoto, gosta de brincar, chutar bola e se diverte a valer, mas há uma coisa que me deixa intrigado, sabe o que é? Jony não toma leite de jeito nenhum, e olha que ele é magro de ‘ruindade’, come tudo que vê pela frente! Mas o leite… Diz que é ruim, como pode? Se ele não provou? Como é que alguém diz que não gosta de algo sem nunca ter provado?

Sua mãe bem que tenta, mas não adianta todo dia é aquela “ladainha” na casa de Jony, a discussão começa bem cedo:

– Jony vai tomar seu leitinho, tá quentinho e gostosinho…

– Mãe, já falei que não gosto daquele ‘negócio’ branco…

– Mas Jony, se você não experimentou como é que sabe se gosta ou não…

– Porque eu sei! Não gosto e pronto! – responde Jony

Bom, a essa altura Jony não havia tomado o leite, mas em compensação, comeu tudo o que achou na geladeira de sua casa… Refrigerante, bolo confeitado, pão com margarina, biscoitos doces e salgados, fez uma miscelânea dentro de sua barriga, comeu, comeu e saiu correndo chamar Robertinho, seu melhor amigo, para mais um dia de travessuras e gargalhadas:

–  Robertinhoooooo! – chamou Jony, todo feliz

– Jony, entra aqui um pouquinho! Estou terminando meu leitinho e já já nós vamos brincar…

Jony, então, entrou para esperar pelo amigo e Sandra a mãe de Robertinho foi logo lhe oferecendo um bom misto quente, Jony sem pestanejar aceitou, é claro, afinal ele só não gosta de leite…

– Jony quer um pouco de leite? – disse Robertinho

– Leite? Eccaaaa!!! Não gosto desse ‘negócio’ branco, mas mesmo assim muito obrigado – respondeu ele todo educado.

E foi assim, Jony devorou mais algumas guloseimas  na casa do amigo e foram brincar, eles estavam andando em direção ao campo de futebol que havia perto da casa de Robertinho, quando de repente! Uma dor de barriga enorme começou a atormentar a vida de Jony e ele gritou:

– Ai! Socorro! Eu vou morrer!

– O que foi Jony? – perguntou Robertinho, todo assustado

– A minha barriga! Aminha barriga! Socorro!

– O que tem na sua barriga? – Robertinho já não aguentava tanta gritaria

– Tá doendo! Tá doendo! Acho que vou morrer! Socorro!

Rapidamente voltaram à casa de Robertinho, pedir ajuda para sua mãe.

Entraram correndo e  gritando, porta adentro, Sandra sem entender nada se assustou:

– O que houve?

– Mãe o Jony vai morrer! Ajuda ele! – disse Robertinho

– O que está acontecendo? – Sandra ainda estava assustada e não conseguia entender nada, até que os meninos se acalmaram e puderam contar o que havia ocorrido.

– Mãe, o Jony tá com dor de barriga e ele acha que vai morrer! – disse Robertinho

– Calma crianças! Ele não vai morrer coisa nenhuma, só está com dor de barriga e precisa ir ao banheiro… – falou Sandra aliviada

– Não tia Sandra, eu não tô com vontade de ir ao banheiro! Tá doendo e eu vouuu morrer!

– Calma! Venha aqui que eu vou fazer uma massagem… O que você comeu? – perguntou Sandra

– Ah Tia, eu comi um montão de coisas lá em casa – Jony começou a contabilizar todas as guloseimas que havia comido, quando ouviram um barulhão vindo de Jony, que imediatamente ficou com as bochechas rosadas:

– PUUUMMMMM!!!

Sandra e Robertinho começaram a rir sem parar e Jony sem jeito, pediu desculpas:

– Ops! Escapou gente, me desculpem!

Sandra ainda anestesiada de tanto rir, fez um comentário:

– Tá vendo menino, você não vai morrer nada, eram só gases que precisavam sair…

– Mas por que doeu tanto, tia? – perguntou Jony

– Porque você misturou muita comida logo cedo e não vez digestão direito… Se você tomasse um copo de leite com chocolate e comesse pão ou biscoitos, garanto que nada disso tinha acontecido…

– Será? – perguntou Jony meio desconfiado

– Claro! Experimente tomar um café da manhã normal que você vai ver… Não terá mais problemas com gases.

Depois de todos estes acontecimentos, finalmente Jony resolveu seguir os conselhos da tia Sandra e de sua mãe, é claro. Experimentou um pouco leite e cá pra nós, adorou! Agora todas as manhãs ele pede um ‘copão’ de leite com chocolate, toma tudinho e vai brincar… E a miscelânea que fazia no café da manhã? Era coisa do passado, pois ele aprendeu a lição, ao invés de leitinho não!!! Pergunta para ele:

– Leitinho? Sim! Adoro! – responde Jony todo feliz…

Felicidade

Vivo em busca da felicidade…

E quem não o faz?

Vivo a cada dia uma eternidade…

Um milagre divino!

Um turbilhão de acontecimentos…

Um rosto sorrindo! É tão lindo!

A florzinha desabrochando no meio do nada…

O sapinho solitário a dar suas coaxadas…

O luar iluminando o sertão,

Os enamorados em frente ao portão…

Um beijo demorado…

Um suspiro,

As juras de amor…

Pois bem…

A felicidade está ai, para quem quiser ver…

São pequenos gestos…

Grandes momentos…

Inesquecíveis afetos…

A felicidade vive a minha procura!

Dia sem Sol – Um conto infantil

                                        Abri os olhinhos, ainda grudados de sono, um soninho gostoso que só a gente pode sentir e curtir… Olhei para aquele relógio grandão da parede e de repente… Nada! Não sei ver as horas, ainda sou pequenino, tenho apenas quatro anos e não sei ver as horas, mas já sei as letras do meu nome.

            Olhei para o lado, onde fica a janela e imaginem só o que vi… Quase nada! “Tava” escuro o quarto e a fresta da janela também… E isso era sinal de uma coisa muito terrível… Oras! Chuva é claro! Ou você achou que um monstro ia aparecer em meu quarto e me matar de susto. Monstros não existem, eu já sei, afinal tenho quatro anos… Sou ‘moço grande’ e não tenho medo de monstro, da Cuca ou Bicho Papão. Então voltando a falar da chuva…

            O dia amanheceu nublado e isso não é boa coisa, pois todas as minhas aventuras se passam em dias ensolarados, no quintal ou no jardim… Agora com esse tempo! Fico aqui trancado dentro de casa, sem ter nada para fazer… Só me resta levantar e ir para a cozinha tomar café… Falando nisso, alguém está dando sinal de vida… URGhHRhr! Calma… é só meu estômago avisando que está vazio, é melhor eu correr para tomar meu leitinho, aí eu mato esse ‘bichão’ que tá roncando dentro de mim!

E lá fui em direção a cozinha, chateado, com cara de ‘Santo Achado’,  pensando que ia ficar o dia todo sem ter o que fazer… Quando de repente! Tanãn! Em cima da mesa da sala tinha um embrulho, não sei o que estava escrito, mas tinha certeza que era para  mim, como sei disso? É fácil… No papel estavam desenhados todos os meus heróis favoritos e só poderia ser para mim aquele pacote…

Mais do que depressa abri o embrulho e para minha surpresa! Achei um livro! Um livro? Mais o que é que eu vou fazer com um livro? Não sei ler… Ai, e agora? Como é que saio desta enrascada? Parei… Pensei, pensei, pensei… E nada! Não consegui encontrar uma saída, então abri o livro, só para ver se me surgia uma idéia… E não é que deu certo! Quando abri o livro tive uma surpresa! Nas páginas só haviam desenhos, bem bonitos e coloridos por sinal, esperem! Ouvi algo! Puxa! Não acredito! O livro fala! Que legal… A cada página folheada uma história era contada! Incrível… Meus problemas tinham se acabado… O livro era cheio de histórias de heróis, monstros, príncipes, fadas e rainhas… Nossa! Quantas histórias… Tomei meu café rapidinho e corri para o sofá ouvir o que o livro tinha a me contar… Fiquei lá horas e horas e nem vi o tempo passar… Só sei que quando dei por mim, olhei para fora e o sol já estava a brilhar… Então pensei – Hoje, lá fora, nem pensar ! A diversão está aqui mesmo, não preciso sair do lugar… É só deixar minha imaginação voar.

ANGRA

Socorro! Estou debaixo d’água… Alguém, por favor, me ajude…

O que está acontecendo? Nado, nado e nada! Procuro um clarão…

Quanta lama! Estou sendo arrastado! Que pesadelo! Quero despertar e não consigo…

Procuro ar e já não posso…

Água, lama e força é só o que vejo, é só o que aspiro, sou jovem…

Não tenho filhos! Mas poderia tê-los… Sou jovem e não quero…

Meus sonhos, minhas angústias, minhas realizações, minha vi…

Urrhhh! Não posso!!

Não mais…

…….

Ano Novo

Quase novo, nada novo, remendado, rasurado…

Empoeirado, amordaçado, desleixado,

Hipócrita, desleal, agonizante, borbulhante…

Aterrorizante…

Ano Novo!