Lembranças

Infância,

Doce, serena…

Lembranças saudosas…

Criança manhosa,

Infância…

Brincadeiras…

Casinha, bola, boneca…

Peão, corrida, peteca…

Realidade imitada, inventada…

Sou mamãe, sou professora, empregada…

Realidade imitada…

Tenho isso ou aquilo, vou onde precisar…

Deixo minha imaginação voar…

Sou poeta, escritora, dona do meu destino…

Faço e aconteço…

Imagino,

Deixo a infância me levar…

Brincadeiras…

Realidade imitada…

Pouco a pouco…

A infância se acaba…

O real se concretiza,

E as lembranças tão saudosas…

Fazem-se pelas mãos da poetisa!

 

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Amores, amigos, amantes…

Amores, amigos, amantes…

Pensamentos enloquentes, distantes…

Amores,

Proibidos, secretos, platônicos, surreais …

Amigos,

Sinceros, sucintos, leais…

Amantes

Dementes, insanos, carnais…

Recomeço

Chuva,

Escorrendo suave sobre a vidraça…

Olhos fixos no horizonte,

Chuva espessa, caindo sem cessar…

Olhos miúdos, serenos, cansados,

Noite em claro,

Olhos fixos, concentrados…

A espera de um sinal,

Qualquer resquício…

Qualquer esboço,

De um mísero ponto…

No horizonte a brilhar…

Uma esperança!

Por entre as nuvens,

O esboço toma forma, a luz…

Após tamanha relutância,

Desponta, desfila, reacende a esperança…

De mais um dia esplendoroso recomeçar…

Pouco a pouco, vencendo a timidez…

Lá está ele…

No quarto a adentrar, brilhando como nunca…

Expectativas renovadas,

Não há mágoa, não há nada,

E os olhos ralos d’água, já extinguiram o chorar…

Pois o tempo é agora,

E a chuva que outrora…

Deixava-me em agonia…

Já não podes mais molhar…