Tudo igual

Voltei, tinha que voltar…

Sentir novamente aquele cheiro de lenha que exala a cozinha de minha mãe, aquela gostosa sensação de estar em casa novamente, protegido, acolhido, contudo, percebi algo estranho, algo que não esperava sentir. Senti que nada tinha mudado, nada mesmo. O cheiro é o mesmo, isso é ótimo, assim pude matar minhas saudades, os móveis são os mesmos, as pessoas, que ainda restam, são as mesmas.

Deixe-me explicar, minha mãe é cuidadora de idosos, aqui em casa mesmo, afinal é uma casa grande, com vários cômodos então um dia ela pensou… Por que não? Ajudo a quem necessita e sustento minha família.

A Srª Judith, maestrina de outrora, tocando o velho piano, O Dr. Jorge, excelente médico neurologista, agora com Alzheimer, nada lhe restara da memória, a não ser algo curioso, ele quando jovem havia sido atingido por um raio, disso jamais esquecera e toda vez que nos encontrávamos ele dizia:

– Você sabia que eu já fora atingido por um raio? É e estou aqui firme e forte! Incrível não?

Tudo estava do mesmo jeito de quando partira, há 20 anos…

Época de sonhos, eu estava com 22 anos, tempo em que eu pensava que podia mudar o mundo, tinha muitas ideias, então peguei uma mochila com algumas peças de roupas, alguns trocados que havia economizado e me joguei mundo…

Viajei pelos quatro cantos, vi coisas lindas, vi coisas terríveis, enfrentei o friozinho da Irlanda, as altas temperaturas do Oriente Médio, os ventos carregados de areia daquele lugar, presenciei a guerra, vi muitos de meus amigos, temporários, morrerem por um ideal, passei pelo Irã e conheci um povo fanático por sua crença, conheci suas mulheres e a total falta de liberdade de expressão, andei, andei,andei, visitei as múmias de Palermo, na Itália, lugar fantástico, que conta uma história surreal, uma história de pelo menos 500 anos, vi as belezas do Velho Mundo, conheci os Castelos Medievais e suas histórias de Reis e Rainhas, as batalhas monumentais.

Fui pro Egito, vi as pirâmides, a Esfinge e muito mais, vi a muralha da China, beleza igual não há, e recentemente passei por Nova York para visitar o lugar onde estavam as Torres Gêmeas, que tristeza, que loucura tudo que se passara por lá.

Enfrentei os Tsunamis, dias terríveis estes, que me fizeram chorar, tantos corpos, tantos sonhos destruídos pelas ondas do mar. Vi desastres naturais, desastres humanos e tudo mais…

Mas agora estou de volta, e sinto o cheiro de lenha a queimar, naquele velho fogão, os mesmos móveis, as mesmas pessoas que esperam a morte chegar, só se preocupam com o tempo, se vai chover ou esfriar, sentadas na varanda observando a vida passar…

Nada mudara naquele lugar, mas eu notara algo diferente que não conseguia explicar, acho que é algo em mim, sim! Descobri! Algo mudou sim…

Eu… Eu mudei, por isso estava sentindo que algo diferente acontecera, eu mudei depois de ver tantas coisas, passar por tantos percalços, eu mudei, já não era mais aquele jovem que queria mudar o mundo, sequer era tão jovem assim, o tempo passara e eu nem tinha em dado conta. Hoje, sei que não posso mudar o mundo, isso me assusta, não deveria ser assim… Tantos sonhos, tantas ideias… Mas uma coisa é certa, minha vida fora uma aventura, não tive casa, não construi família, mas vivi dias inimagináveis e agora estou de volta, aquela velha casa, junto de minha querida mãe, que hoje já não pode mais cuidar daquele lugar, essa tarefa fora delegada a minha irmã mais nova, pois, a mais velha também havia ido embora, sumiu no mundo, e ao contrário de mim, nunca mais voltara.

Eu voltei, acho que foi pra ficar, quero sossego, quero envelhecer naquele lugar, quero sentar-me na varanda, como os outros, me preocupar só com o tempo, se vai chover ou esfriar, quero apenas esperar… Esperar a morte, claro que ainda sou novo para isso, mas me sinto tão cansado, talvez tenha sido por causa das aventuras que vivi, não sei… Sei que estou cansado e apenas quero ficar… Guardar as boas lembranças e esperar a morte chegar.

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Tinha de ser…

Tinha de ser você…

Não pelo brilho dos seus olhos…

Pelo calor do seu corpo…

Mas pela sinceridade,

Pela amizade,

Não pelo cheiro da sua pele…

Mas pela simplicidade…

Não pelos calafrios que provoca ao se aproximar…

Mas pela ternura que vejo em seu olhar…

Não pelo doce da sua voz,

Mas pela presença,

Pela certeza,

Às vezes não sei o que pensar,

Só sei que tinha de ser…

Tinha de acontecer…

Tudo como foi,

Exatamente igual,

Tinha de ser…

Você.

 

 

                                                                                                 

Experimente desenhar…

Desenhar…

 É experimentar;

 É buscar algo novo;

 Algo já existente;

É viver;

É sorrir e chorar…

Pode ser garatuja;

Pode ser transparente;

Pode ter sombreado;

Pode ter significado;

O que não se pode é ficar parado;

Desenhe…

Liberte-se, libere-se

Viaje, sonhe…

Desenhe…

A criança desenha para se expressar…

O adulto se reprime e diz que não sabe desenhar…

Ora, todo mundo pode

É só começar…

O desenho é sua marca;

Imagine, desenhe…

Permita-se sonhar,

Sob a luz do luar,

Desenhe sem parar…

Sinta-se voar…

Desenhe, solte-se, vamos lá!!

Perdi-Me…

Perdi-me…

Tentando encontrar,

Perdi-me,

Tentando me encontrar,

Perdi-me,

Na luz das estrelas…

Nas ondas do mar…

Encontrei-te…

E junto me achei…

Perdi-me novamente,

Na luz do teu olhar,

Nos teus braços a me afagar,

No teu colo a me confortar…

A nossa liberdade,

É o que nos une,

Hoje, mais do que um…

Somos dois…

Encontrei-te…

Encontrei-me…

E ao me encontrar,

Descobri…

O segredo de amar.

Quebre essa Corrente !!!

 Meu avô surrou a minha avó …

O seu filho, cresceu vivenciando essa barbárie…

Quando adulto,

O meu pai surrou a minha mãe…

E eu cresci vivenciando essa barbárie…

Antes não pensava assim…

Era normal,

Me casei e surrei minha mulher, foi uma explosão eu sei…

Um ataque de fúria, afinal era banal…

Um dia, meu filho me olhou no fundo dos olhos…

E suplicando, pediu-me…

Papai deixe a mamãe em paz…

Foi ai que notei uma lágrima em seu rosto…

Quebrei essa corrente !!!

Meu vizinho, bêbado …

Quebrava tudo em seu lar…

Saia pela rua a cambalear…

Seu filho, vivenciava tudo …

Cresceu, e como de costume…

Saia pelas ruas a cambalear…

Seu pai se foi …

A bebida amiga de outrora, o levara…

Estava só no mundo…

Tomou uma decisão,

Quebrou essa corrente !!!  

A senhora da rua de cima…

Não amava seu filho,

Não lhe dava carinho, afeto, atenção…

Pois sabia que era assim, filhos só estorvam…

É o que dizia seu pai…

O filho da senhora da rua de cima se acostumou…

Pensara … É normal !!!

Meu avô fora assim, minha mãe também…

No dia que nasceu seu filho…

A mais bela criatura…

De repente uma força estranha tomou seu coração…

Uma força tamanha …

Então decidiu…

Quebrou essa corrente…

É hora de todos quebrarmos as correntes malignas que assolam nossas vidas…

Vida é vida, pra ser vivida e não sofrida…

Vida é amor e não dor, desprezo e indiferença…

Pense nisso e quebre essa corrente !!!

Quebre essa Corrente !!!

Parte II

 Atordoado, abri os olhos…

Um silêncio, ensurdecedor, tomou conta daquele lugar…

Meu corpo sequer tinha movimentos …

Os olhos, sim, o que restou…

Consegui movimentá-los, ali ao meu lado pude constatar…

Minha amiga já não mais podia respirar…

Seu corpo sem vida, fora severamente atacado…

Uma overdose, antes parecia legal…

Mas pude perceber só agora o ato insano, a crueldade

Com que nos tratamos…

Para minha amiga era tarde…

Já eu, quebrei essa corrente.

A moça bonita, andava pra lá e pra cá…

A procura de uns trocados…

Com sua avó e sua mãe aprendeu o ofício…

Levava uma vida mundana, fácil…  Será?

Por tempo era assim que se via a vida passar…

Porém, ao amanhecer de mais um dia, se viu jogada…

Maltrada, toda quebrada…

Daquele dinheiro já não lhe restava mais nada…

Coitada!

E ali paralisada, refletiu…

Minha vida quase se extinguiu…

Agora, vou quebrar essa corrente !!!