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Mordidas: Uma forma de expressão (?)

Sim. Por mais absurdo que possa parecer à mordida é uma forma de expressão. Segundo Freud, pai da psicanálise, a fase oral (o prazer adquirido por meio da boca) é a primeira etapa do desenvolvimento infantil, sendo este seu primeiro contato com o mundo. Ao observar um bebê de aproximadamente quatro ou cinco meses pode se constatar que sua maior diversão é levar tudo à boca: mãos, pés, objetos que se encontram ao seu alcance etc. e esta diversão pode durar horas. Ao colocar objetos na boca o bebê experimenta novas sensações, ampliando assim o conhecimento do mundo a sua volta. É por meio da boca que se conhece as diferenças de peso, tamanho, textura e forma. A cada bocada uma nova aventura! Além do conhecimento, o contato bucal serve também para a aceitação ou rejeição do alimento, o choro, os balbucios e quando surge a dentição surgem com ela as mordidas. Conclui-se então que, a mordida é uma forma de conhecimento e uma maneira que o bebê tem para comunicar-se. A mordida proporciona a percepção entre duro ou mole e até mesmo o susto, o choro, ou o espanto da criança mordida. Descobrir reações alheias pode parecer maravilhoso para um bebê! Morder pode ser tão fascinante que a criança pode querer repetir.

Entretanto, é claro que ninguém gostaria de ver seu filho com os doloridos sinais de uma mordida e como qualquer um corre o risco é preciso entender o que isto significa. Como vimos à mordida é conhecimento e comunicação e não uma “arma” como pensa o adulto. Por isso para compreender a mordida faz-se necessário entender o contexto em que a mordida ocorreu.

Em nossa cultura, frequentemente, expressa-se carinho com os bebês através da “falsa mordida”, essas ações geram “modelos de imitação” por parte da criança, que acaba mordendo outras crianças, sem ter a noção de intensidade e força. Isto não quer dizer que não se deva brincar com os bebês utilizando a boca, pelo contrário, desde que respeitadas as particularidades e as sensações infantis, tais momentos podem ser muito afetuosos. O ideal é ensinar à criança que essas brincadeiras devem ser leves ou ainda não deve ocorrem caso a outra criança não goste, pois isso pode provocar dor machucados no amiguinho.

A mordida pode significar ainda contrariedade, ciúme, frustração, ansiedade, raiva ou a busca de atenção.

Portanto, seja qual for o contexto, é necessário o cuidado para não rotular a criança como “mordedor”, isso pode gerar expectativas de novas mordidas. O correto é tratar o fato com tranqüilidade e firmeza, mostrando para o bebê que quem levou a mordida ficou com “dodói” e isso não é legal. O importante é revelar que há outras formas de brincadeiras e expressão, seja por meio da fala ou gestos. Enfim, compreender as fases do desenvolvimento infantil é essencial e como toda fase, desaparecerá assim que a linguagem se desenvolver plenamente.

 

 

Camila Giangrossi Meleke – Pedagoga e pós graduanda em psicopedagogia

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